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Empresas mais reclamadas em maio: crédito e redes sociais lideram ranking

O Consumidor.gov.br registrou 352 mil reclamações em maio de 2026, o maior volume do ano. Cartão de crédito, empréstimos, CPF e serviços digitais lideram os conflitos. No acumulado de janeiro a maio, as reclamações já ultrapassam 1,5 milhão e mais que dobraram em relação ao mesmo período de 2025

Empresas mais reclamadas em maio: crédito e redes sociais lideram ranking
Resumo editorial Ler resumo Clique para ler os principais pontos do artigo Maio registrou 352.367 reclamações no Consumidor.gov.br Serasa Experian liderou o ranking das empresas mais reclamadas
  • Facebook e Instagram entraram no Top 3 das reclamações
  • Cartão de crédito continua sendo o principal motivo de conflito
  • Reclamações mais que dobraram em relação a 2025
  • Consumidor.gov.br já acumula mais de 1,5 milhão de registros em 2026
  • Bancos, crédito, telecom e plataformas digitais concentram os problemas

O ranking das empresas mais reclamadas do país ganhou um novo integrante em maio de 2026. Ao lado de bancos, financeiras e birôs de crédito, Facebook e Instagram passaram a figurar entre os principais alvos de reclamações dos consumidores brasileiros.

Dados do Consumidor.gov.br mostram que foram registradas 352.367 reclamações em maio, o maior volume mensal do ano até agora. O número supera os 341.338 registros de abril e confirma uma tendência de crescimento dos conflitos entre consumidores e empresas.

A liderança continua com a Serasa Experian, que recebeu 22.602 reclamações. Logo atrás aparecem Nubank, com 21.994 registros, e Facebook/Instagram, que somaram 18.074 reclamações e chegaram à terceira posição do ranking nacional.

O avanço das plataformas digitais entre as empresas mais reclamadas revela uma mudança importante no perfil dos conflitos de consumo. Se antes as reclamações estavam concentradas principalmente em crédito e serviços financeiros, agora crescem também os problemas relacionados à identidade digital, invasão de contas, golpes online e dificuldade de suporte.

Cartão de crédito continua liderando as reclamações

O principal motivo de conflito entre consumidores e empresas continua sendo cartão de crédito, débito e cartão de loja.

Somente em maio, esse tema gerou 64.889 reclamações. Em seguida aparecem crédito pessoal e empréstimos, com 44.296 registros, além de serviços na internet, consultas de CPF, crédito consignado e transporte aéreo.

Na prática, isso significa que boa parte dos consumidores procura a plataforma para reclamar de cobranças indevidas, contestação de compras, renegociação de dívidas, bloqueios de contas, problemas de crédito e falhas em serviços digitais.

Outro dado que chama atenção é a presença crescente de temas ligados ao CPF e ao score de crédito. Juntos, esses assuntos responderam por quase 30 mil reclamações apenas em maio.

Facebook e Instagram entram entre as empresas mais reclamadas

A entrada de Facebook e Instagram entre as empresas mais reclamadas é um dos fatos mais relevantes do levantamento.

As principais reclamações envolvem:

  • invasão de contas;
  • perfis bloqueados;
  • anúncios fraudulentos;
  • golpes praticados por terceiros;
  • dificuldade para conseguir atendimento.

O crescimento desse tipo de problema mostra que o consumidor brasileiro está cada vez mais dependente dos ambientes digitais e, ao mesmo tempo, mais vulnerável quando algo dá errado.

Reclamações mais que dobraram em um ano

O aumento observado em maio faz parte de um movimento maior.

Levantamento divulgado pelo jornal O Globo, com base em estudo do Farol da Oposição e dados do Ministério da Justiça, mostra que as reclamações registradas no Consumidor.gov.br cresceram 104,8% entre janeiro e abril de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.

O setor bancário foi o principal responsável por essa alta. Segundo o estudo, as reclamações contra bancos, financeiras e administradoras de cartão aumentaram 131% no período e representam cerca de 42% de todas as queixas registradas.

As telecomunicações também continuam entre os setores mais problemáticos para o consumidor.

Endividamento ajuda a explicar o avanço das reclamações

Para Ricardo Morishita, secretário nacional do Consumidor (Senacon), o crescimento das reclamações não pode ser explicado apenas por falhas regulatórias.

Em entrevista ao jornal O Globo, Morishita afirmou que o aumento está relacionado principalmente ao endividamento e ao maior conhecimento dos consumidores sobre seus direitos.

“Vejo o aumento das reclamações muito mais relacionado a questões como endividamento. Notícias relacionadas ao setor acabam levando mais consumidores a questionarem seus bancos, buscarem informações e reclamarem os seus direitos”, afirmou ao jornal.

O secretário também destacou ao O Globo que bancos e telecomunicações aparecem entre os setores mais reclamados desde a criação do Consumidor.gov.br, em 2014, por prestarem serviços essenciais para o dia a dia da população.

Quais são as empresas mais reclamadas de 2026?

Os dados analisados pelo Consumo em Pauta mostram que o Consumidor.gov.br já acumula mais de 1,5 milhão de reclamações entre janeiro e maio de 2026.

As dez empresas mais reclamadas no período são:

  1. Serasa Experian
  2. Nubank
  3. Banco do Brasil
  4. Santander
  5. Bradesco
  6. Vivo Telefônica
  7. Will Bank
  8. Caixa Econômica Federal
  9. Mercado Livre
  10. Recovery do Brasil Consultoria

O ranking mostra uma forte concentração de conflitos nos setores financeiro, crédito, telecomunicações e comércio eletrônico.

Quem responde melhor e quem resolve melhor

Os dados revelam que responder não é a mesma coisa que resolver.

Entre as grandes empresas do ranking, Nubank, Banco do Brasil, Santander, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Serasa mantêm índices de resposta próximos de 100%.

Já quando o consumidor avalia se o problema foi realmente solucionado, o cenário muda.

Vivo Telefônica e Mercado Livre aparecem entre as empresas com melhores índices de solução e maiores notas médias atribuídas pelos consumidores.

Na outra ponta estão empresas ligadas a cobrança e serviços financeiros, que registram algumas das piores avaliações da plataforma.

O caso do Will Bank merece uma ressalva. A instituição aparece entre as empresas com menor índice de resposta porque teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026, após enfrentar problemas financeiros e operacionais.

O que esses números revelam sobre o consumidor brasileiro

Os dados mostram que os conflitos de consumo estão cada vez mais concentrados em três áreas: crédito, identidade financeira e ambiente digital.

O consumidor brasileiro depende mais de aplicativos, bancos digitais, plataformas online e serviços automatizados. Quando surgem problemas, porém, continua encontrando dificuldades para resolver questões ligadas ao próprio dinheiro, aos seus dados pessoais e ao acesso aos serviços contratados.

Por isso, antes de contratar um banco, uma operadora, uma plataforma digital ou uma loja online, vale consultar os indicadores públicos do Consumidor.gov.br. O histórico de reclamações, solução e satisfação dos clientes pode revelar muito sobre a qualidade do atendimento que a empresa oferece quando o problema aparece.