Início / Alertas ao Consumidor / Consumidor.gov.br registra mais de 341 mil reclamações

Consumidor.gov.br registra mais de 341 mil reclamações

Consumidor.gov.br registrou mais de 341 mil reclamações em abril de 2026. Serasa lidera ranking das empresas mais reclamadas. Cartão de crédito, empréstimos, CPF e serviços digitais concentram os maiores conflitos. No acumulado do ano, plataforma já supera 1,2 milhão de registros

Reclamações de consumidores em abril no consumidor.gov.br

Consumidor.gov.br registrou mais de 341 mil reclamações em abril de 2026. Serasa lidera ranking das empresas mais reclamadas. Cartão de crédito, empréstimos, CPF e serviços digitais concentram os maiores conflitos. No acumulado do ano, plataforma já supera 1,2 milhão de registros

 



 

Resumo

  • Consumidor.gov.br registrou 341.338 reclamações em abril de 2026
  • Serasa Experian foi a empresa mais reclamada do mês
  • Cartão de crédito liderou os assuntos mais reclamados
  • Bancos digitais, telecom e plataformas online concentram grande volume de queixas
  • Mais de 18 mil reclamações ficaram sem resposta
  • No acumulado de 2026, plataforma já ultrapassa 1,2 milhão de registros


 

O consumidor brasileiro registrou mais de 341 mil reclamações no Consumidor.gov.br, plataforma da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), apenas em abril de 2026. Os dados mostram um cenário cada vez mais concentrado em problemas envolvendo crédito, serviços financeiros, telecomunicações e plataformas digitais.

A empresa mais reclamada do mês foi, de novo, a Serasa Experian, com mais de 23 mil registros. Em seguida aparecem Nubank, Banco do Brasil, Vivo Telefônica, Santander e Bradesco. O ranking reforça como bancos, crédito e serviços digitais seguem no centro das principais dores do consumidor brasileiro.

O principal motivo de reclamação foi cartão de crédito, débito e cartão de loja. Foram mais de 67 mil queixas em apenas um mês. Na prática, os registros envolvem cobranças indevidas, compras contestadas, renegociação de dívidas, bloqueios de contas, parcelamentos e dificuldades de cancelamento.

Logo depois aparecem problemas ligados a empréstimos pessoais e crédito consignado. Somados, esses temas ultrapassaram 66 mil reclamações em abril. O avanço desse tipo de conflito acompanha o aumento do endividamento das famílias e da oferta agressiva de crédito.

Outro dado que chama atenção é o crescimento das reclamações ligadas a CPF, score e monitoramento de crédito. Só consultas e monitoramento de CPF geraram mais de 17 mil registros no mês. Já os problemas envolvendo score ultrapassaram 9,5 mil reclamações.

Esse movimento ocorre em um cenário de aumento das fraudes digitais e do uso indevido de dados pessoais. Muitos consumidores relatam dificuldades para entender negativas de crédito, cobranças consideradas indevidas e movimentações suspeitas envolvendo seus dados financeiros.

Bancos digitais, plataformas online e telecom lideram conflitos

Os dados também mostram a consolidação dos bancos digitais entre as empresas mais reclamadas do país. O Nubank aparece na segunda colocação do ranking mensal, enquanto o Will Bank ultrapassou 10 mil reclamações em abril.

O Will Bank aparece entre as empresas com menor índice de resposta porque teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026. A instituição foi fechada após o agravamento da crise financeira do Banco Master, seu controlador, além de problemas de solvência e dificuldades operacionais envolvendo pagamentos e atendimento aos clientes.

No comércio eletrônico e nas plataformas digitais, Mercado Livre, Facebook e Instagram seguem concentrando grande volume de reclamações. Os consumidores relatam principalmente invasões de contas, golpes, anúncios fraudulentos, bloqueios de perfil e dificuldades para conseguir suporte.

Já no setor de telecomunicações, Vivo e TIM permanecem entre as empresas mais reclamadas. Os principais problemas envolvem cobrança, cancelamento de serviços, qualidade da conexão e dificuldades no atendimento.

O setor aéreo também segue pressionado. Só o tema “aéreo” acumulou quase 13 mil reclamações em abril, envolvendo cancelamentos, reembolsos, alterações de voo e bagagem.

 

 


Leia também no CONSUMO EM PAUTA

+ Como escolher o crédito certo e evitar dívidas desnecessárias

+ Empresas mais reclamadas em março revelam falhas recorrentes no mercado

+ Banco pode instalar rastreador em carro financiado?


Mais de 18 mil reclamações ficaram sem resposta

Apesar do alto volume de atendimentos realizados na plataforma, mais de 18 mil reclamações ficaram sem resposta em abril.

Entre as empresas mais reclamadas, Nubank, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil apresentaram índices praticamente integrais de resposta. Por outro lado, varejistas, empresas de turismo e logística registraram índices bastante baixos.

Para especialistas em relações de consumo, responder rapidamente passou a ser uma questão de reputação pública. Porém, velocidade de resposta não significa necessariamente solução efetiva do problema.

Serasa lidera reclamações no acumulado de 2026

Os dados consolidados de janeiro a abril mostram que o Consumidor.gov.br já ultrapassou 1,2 milhão de reclamações em 2026. O cenário reforça a concentração dos conflitos em bancos, crédito, cobrança, telecom e serviços digitais.

A Serasa Experian lidera o ranking do primeiro quadrimestre, com 108.624 reclamações acumuladas. Em seguida aparecem Nubank, Banco do Brasil, Santander e Bradesco.

As dez empresas mais reclamadas no ano até agora são:

  1. Serasa Experian — 108.624 reclamações
  2. Nubank — 71.302
  3. Banco do Brasil — 41.183
  4. Banco Santander — 40.255
  5. Banco Bradesco — 38.599
  6. Vivo Telefônica — 34.161
  7. Will Bank — 30.335
  8. Caixa Econômica Federal — 26.865
  9. Mercado Livre — 24.055
  10. Recovery do Brasil Consultoria — 20.369

Mercado Livre e Vivo têm melhor avaliação dos consumidores

Entre as empresas mais reclamadas, Mercado Livre e Vivo Telefônica aparecem entre os melhores índices de solução percebida pelos consumidores.

A Vivo teve índice de solução superior a 70% entre as reclamações avaliadas na plataforma. Já o Mercado Livre ficou próximo de 67%.

Na avaliação média dos consumidores, a Vivo também apresentou a melhor nota entre as empresas mais reclamadas, com média de 3,53. O Mercado Livre ficou em segundo lugar, com 3,23.

Já as menores avaliações ficaram concentradas em empresas financeiras e de cobrança:

  • Recovery do Brasil Consultoria — 1,65
  • Santander — 1,75
  • Nubank — 1,78
  • Bradesco — 1,84

Os números mostram que o consumidor está cada vez mais atento não apenas à resposta formal das empresas, mas principalmente à capacidade real de solução dos problemas.

Consumidor deve consultar histórico antes de contratar serviços

Os indicadores públicos do Consumidor.gov.br permitem que qualquer pessoa consulte o histórico das empresas antes de contratar um serviço.

Na plataforma, o consumidor consegue verificar:

  • índice de resposta;
  • tempo médio de atendimento;
  • percentual de solução;
  • satisfação dos consumidores;
  • principais problemas registrados.

Essas informações ajudam o consumidor a tomar decisões mais conscientes e funcionam como um importante termômetro da qualidade do atendimento das empresas no Brasil.

Texto: Angela Crespo

Imagem: Freepik