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IA agêntica pode fazer compras para consumidores

A IA agêntica começa a transformar as compras online ao permitir que sistemas pesquisem, comparem preços e até comprem produtos automaticamente para o consumidor. A tecnologia promete praticidade, mas também levanta dúvidas sobre privacidade, influência nas decisões e proteção do consumidor. Especialista explica como tudo isso começa a funcionar na prática.

IA agêntica já começa a fazer compras para consumidores

A IA agêntica começa a transformar as compras online ao permitir que sistemas pesquisem, comparem preços e até comprem produtos automaticamente para o consumidor. A tecnologia promete praticidade, mas também levanta dúvidas sobre privacidade, influência nas decisões e proteção do consumidor. Especialista explica como tudo isso começa a funcionar na prática

 



 

RESUMO 

  • O que é IA agêntica e como ela funciona nas compras online
  • Como a inteligência artificial pode pesquisar, comparar e comprar produtos
  • Quais os riscos de compras automáticas e exposição de dados
  • O que continua valendo no Código de Defesa do Consumidor
  • Como o consumidor pode usar a tecnologia de forma mais segura
  • O impacto da IA no futuro do comércio eletrônico

 



 

O consumidor pesquisa um produto no celular, conversa com uma inteligência artificial, define quanto quer pagar e, horas depois, a compra aparece concluída sem que ele tenha precisado entrar em um site ou comparar dezenas de ofertas. O cenário ainda parece distante para muita gente, mas já começa a acontecer em plataformas digitais no Brasil e no exterior.

A chamada IA agêntica surge como uma nova etapa da inteligência artificial aplicada ao consumo. Diferente dos sistemas tradicionais, que apenas respondem perguntas, ela consegue executar tarefas. Isso inclui pesquisar produtos, comparar preços, avaliar condições de entrega, acompanhar promoções e até concluir compras automaticamente.

O site Consumo em Pauta conversou com Paulo Lelis, sócio-CIO da Lope Digital Commerce, empresa especializada em transformação digital e operações de e-commerce, para saber como a IA agêntica funciona. Ele deixou claro que é uma espécie de copiloto das compras online.

“É como ter um assistente que ajuda nas etapas de comparação, consulta e análise de produtos com uma velocidade muito maior. Em alguns casos, ela pode até fazer compras automaticamente para o consumidor”, explica.

A tecnologia já aparece em iniciativas de empresas internacionais, especialmente em marketplaces e mecanismos de busca. Nos Estados Unidos, por exemplo, sistemas conseguem localizar produtos dentro de critérios definidos pelo consumidor e finalizar a compra automaticamente quando encontram a melhor condição.

No Brasil, o movimento ainda está em estágio inicial, mas começa a ganhar espaço em plataformas digitais e operações de e-commerce.

O que muda nas compras com IA agêntica

A principal diferença está na autonomia da tecnologia. Em vez de apenas ajudar o consumidor a encontrar informações, a IA passa a agir em nome dele.

Na prática, o consumidor poderá pedir algo como:

“Encontre um celular com boa câmera, até R$ 2 mil, com entrega rápida e melhor avaliação.”

A inteligência artificial fará toda a pesquisa em segundos. Depois, poderá apresentar opções ou, dependendo da autorização dada pelo usuário, concluir a compra automaticamente.

Segundo Paulo Lelis, parte dessa tecnologia deve evoluir rapidamente.

“Hoje já existem sistemas que conseguem acompanhar preços, encontrar novas opções, comparar produtos e até avisar quando surge uma oferta melhor dentro daquilo que o consumidor deseja”, afirma.

A tendência também deve ampliar compras recorrentes. Produtos como ração, café, itens de limpeza ou medicamentos de uso contínuo poderão ser comprados automaticamente conforme hábitos e preferências do consumidor.

Ao mesmo tempo, Paulo Lelis avalia que essa transformação também muda o comportamento de consumo. A decisão deixa de ser totalmente manual e passa a ser influenciada por sistemas que aprendem preferências, hábitos e padrões de compra.

A IA precisa conhecer o consumidor para funcionar

Para recomendar produtos e tomar decisões, a IA agêntica depende de dados. Quanto mais conhece o consumidor, mais personalizada tende a ser a experiência.

Isso inclui histórico de compras, pesquisas feitas na internet, preferências de consumo e até comportamento financeiro.

Segundo o CEO da Lope Digital Commerce, boa parte dessas informações passa a ser construída naturalmente conforme o consumidor utiliza as ferramentas digitais.

“A plataforma vai entendendo o comportamento da pessoa ao longo do uso. Muitas vezes, ela está mais interessada nos hábitos de consumo do que necessariamente em dados pessoais específicos”, explica.

Mesmo assim, o especialista alerta que transparência será fundamental nessa nova relação. “O consumidor precisa saber para onde os dados dele vão, como são armazenados e com quem são compartilhados”, afirma.

A preocupação aumenta porque o Brasil já enfrenta um cenário crescente de golpes digitais, vazamentos de dados e fraudes virtuais. Por isso, ele recomenda que o consumidor tenha cautela antes de permitir acessos automáticos, integração com cartões ou compartilhamento de dados financeiros.

Outro ponto importante envolve permissões. Algumas ferramentas poderão solicitar acesso a bancos, cartões ou sistemas financeiros para analisar condições de pagamento e orçamento.

Nesse cenário, a atenção às configurações de privacidade passa a ser essencial.

Código de Defesa do Consumidor continua valendo

Mesmo quando a compra for feita automaticamente por uma inteligência artificial, os direitos do consumidor permanecem protegidos pela legislação brasileira.

Segundo Paulo Lelis, o uso da IA funciona como um apoio ao consumidor e não elimina responsabilidades das empresas.

“As relações de consumo continuam seguindo o Código de Defesa do Consumidor. O direito de arrependimento, por exemplo, continua existindo nas compras online”, explica.

Isso significa que compras feitas pela IA agêntica continuam sujeitas às regras já previstas para comércio eletrônico, incluindo direito à informação clara, possibilidade de cancelamento e responsabilidade do fornecedor.

Ao mesmo tempo, especialistas acreditam que novas discussões jurídicas devem surgir conforme a tecnologia evoluir.

Uma das preocupações envolve recomendações patrocinadas. Ou seja: quando sistemas começam a sugerir determinados produtos porque empresas pagaram para aparecer primeiro.

Paulo Lelis afirma que transparência será decisiva. “Se existe conteúdo patrocinado, isso precisa ficar claro para o consumidor. Transparência é o que determina confiança nessa relação com a tecnologia”, diz.

O tema também se conecta diretamente ao direito à informação previsto no artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor, considerado um dos pilares das relações de consumo no ambiente digital.

 


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IA agêntica pode ajudar até no controle financeiro

Apesar das preocupações, especialistas acreditam que a IA agêntica também pode trazer benefícios importantes para o consumidor.

Além de comparar preços com mais velocidade, os sistemas poderão ajudar na educação financeira e no controle de gastos.

Segundo Paulo Lelis, assistentes pessoais poderão analisar orçamento, parcelamentos e impacto das compras antes da conclusão do pagamento.

“Você pode pedir para a IA consultar sua condição financeira, comparar parcelamentos e até avaliar se aquele gasto faz sentido naquele momento”, afirma.

A tendência também pode ajudar consumidores impulsivos, oferecendo alertas antes de compras excessivas ou indicando opções mais adequadas ao orçamento disponível.

Outro avanço importante envolve a comparação de produtos. A IA agêntica poderá explicar diferenças entre modelos, apontar limitações técnicas e ajudar o consumidor a entender o custo-benefício real de cada opção.

“Ela pode mostrar que um produto mais barato atende exatamente aquilo que a pessoa precisa. Isso ajuda muito na clareza da decisão de compra”, destaca o especialista.

Como usar IA agêntica com mais segurança

Especialistas recomendam alguns cuidados básicos para quem pretende utilizar ferramentas de IA nas compras online:

  • verificar quais dados estão sendo compartilhados;
  • ler permissões e políticas de privacidade;
  • confirmar se a plataforma informa conteúdos patrocinados;
  • limitar compras automáticas inicialmente;
  • acompanhar notificações e histórico de compras;
  • evitar fornecer dados financeiros em ferramentas desconhecidas;
  • utilizar autenticação em duas etapas.

Também é importante lembrar que a inteligência artificial funciona melhor quando recebe comandos claros. Quanto mais específica for a solicitação do consumidor, maiores as chances de receber recomendações realmente úteis.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o consumidor não deve entregar totalmente suas decisões ao sistema sem acompanhamento.

A tecnologia tende a facilitar a vida. Mas, quando envolve dinheiro, dados pessoais e decisões de consumo, informação e atenção continuam sendo fundamentais.

 

Texto: Angela Crespo

Imagem: Freeipik

 

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