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Como escolher um colchão: o que olhar antes de comprar

Comprar um colchão exige mais do que testar o conforto por alguns minutos. Entender a etiqueta, conhecer a densidade adequada ao seu biotipo e verificar a composição do produto ajudam a evitar escolhas equivocadas e garantem mais conforto, durabilidade e qualidade do sono

Como escolher um colchão: o que olhar antes de comprar
Resumo editorial Ler resumo Clique para ler os principais pontos do artigo A etiqueta do colchão revela toda a composição interna do produto. A densidade ideal varia de acordo com o peso e a altura do consumidor.
  • Nem sempre um colchão mais alto ou mais caro significa melhor qualidade.
  • Comprar apenas pela aparência ou pelo marketing pode gerar arrependimento.
  • O consumidor tem direito a informações claras antes da compra.
  • Nas compras pela internet, existe o direito de arrependimento em até sete dias.

Comprar um colchão exige mais do que testar o conforto por alguns minutos. Entender a etiqueta, conhecer a densidade adequada ao seu biotipo e verificar a composição do produto ajudam a evitar escolhas equivocadas e garantem mais conforto, durabilidade e qualidade do sono

Quem está prestes a trocar de colchão normalmente presta atenção em três fatores: preço, tamanho e conforto. Na loja, deita por alguns minutos, testa a maciez e decide. Nas compras pela internet, muitas vezes nem isso é possível. O problema é que quase ninguém verifica o que realmente existe dentro daquele produto.

Essa falta de informação pode fazer diferença no conforto, na durabilidade do colchão e até na qualidade do sono. Mais do que isso, pode levar o consumidor a comprar um produto que não corresponde às suas expectativas.

Cleriane Lopes Denipot é loira e está com o cabelo preso
Todo fabricante brasileiro precisa informar ao consumidor tudo o que existe dentro do colchão por meio da etiqueta

Segundo a diretora-executiva do Instituto Nacional de Estudos do Repouso (INER), Cleriane Lopes Denipoti, a principal ferramenta para uma compra consciente está ao alcance de todos, mas costuma ser ignorada: a etiqueta do colchão.

“O consumidor dificilmente busca as informações na etiqueta. Como o colchão não é um produto em que seja possível visualizar as camadas internas, ele acaba não sabendo exatamente o que está comprando”, explica.

A etiqueta revela muito mais do que o consumidor imagina

Ao contrário do que muita gente pensa, a etiqueta não serve apenas para informar a marca ou o modelo do colchão.

Ela apresenta informações obrigatórias definidas pelas normas técnicas brasileiras, como:

  • tipo de colchão;
  • composição interna;
  • densidade das espumas;
  • altura de cada camada;
  • tipo de mola, quando houver;
  • materiais utilizados na estrutura.

Essas informações permitem comparar produtos de forma objetiva e entender se aquilo que está sendo vendido realmente atende às necessidades do consumidor.

“Todo fabricante brasileiro precisa informar ao consumidor tudo o que existe dentro do colchão por meio da etiqueta, do manual ou do memorial descritivo do produto”, destaca Cleriane.

Nem sempre um colchão mais alto significa mais conforto

Um dos alertas feitos pela especialista é que a aparência pode enganar.

Um colchão mais alto pode transmitir a sensação de maior qualidade, mas parte dessa altura pode ser composta por materiais diferentes da espuma tradicional.

Ela cita como exemplo o poliestireno expandido (EPS), conhecido popularmente como isopor.

O uso desse material é permitido pela regulamentação brasileira, desde que esteja corretamente informado ao consumidor. No entanto, o programa voluntário de certificação Pró-Espuma, desenvolvido pelo INER, adota critérios mais rigorosos e não certifica colchões que utilizam esse componente.

“O consumidor precisa saber exatamente o que está comprando. A etiqueta permite identificar toda a composição do colchão antes da compra”, afirma.

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A densidade da espuma deve acompanhar o biotipo

Outro erro bastante comum é escolher o colchão apenas pela sensação de conforto experimentada na loja.

Segundo a especialista, existe uma relação técnica entre peso, altura e densidade da espuma, conhecida como tabela de biotipo.

Essa referência foi desenvolvida pelo INER e ajuda a indicar qual densidade oferece melhor suporte para cada pessoa.

Quem escolhe uma densidade inferior à recomendada pode perceber perda de desempenho do colchão ao longo do tempo. Já uma densidade muito alta pode resultar em um colchão excessivamente firme e desconfortável.

“A tabela de biotipo é hoje uma referência para orientar o consumidor na escolha da densidade mais adequada ao seu perfil”, explica Cleriane.

Comprar pela internet exige ainda mais atenção

mulher em uma loja de colchão verificando os preços o celular

O crescimento das vendas online trouxe praticidade, mas também aumentou a responsabilidade do consumidor na hora da escolha.

Sem experimentar o produto, torna-se ainda mais importante verificar as informações técnicas disponíveis no anúncio e na descrição do fabricante.

Para Cleriane, quando essas informações não aparecem de forma clara, vale desconfiar.

“Se o consumidor encontra apenas marketing e não consegue localizar as informações técnicas do produto, esse já é um sinal de atenção”, alerta.

Nas compras realizadas pela internet, o Código de Defesa do Consumidor garante o direito de arrependimento em até sete dias após o recebimento do produto, permitindo a devolução nas hipóteses previstas pela legislação.

O papel do INER

Com mais de quatro décadas de atuação, o Instituto Nacional de Estudos do Repouso (INER) desenvolve pesquisas sobre qualidade do sono, participa da elaboração de estudos técnicos e mantém programas voluntários de certificação para produtos relacionados ao descanso.

Além da tabela de biotipo, o instituto oferece informações ao consumidor e disponibiliza atendimento para esclarecer dúvidas sobre produtos certificados pelo selo Pró-Espuma.

Segundo a especialista, o objetivo é aproximar conhecimento técnico das decisões de compra.

“A informação é a base de relações de consumo mais equilibradas. Quanto mais o consumidor conhece o produto, maiores são as chances de fazer uma boa escolha”, resume.

O que o consumidor deve fazer

Antes de comprar um colchão:

  • pesquise qual densidade é indicada para seu peso e altura;
  • leia atentamente a etiqueta e a descrição técnica do produto;
  • compare modelos além do preço e da aparência;
  • procure fabricantes que disponibilizem informações claras e completas;
  • em caso de dúvidas, consulte os canais de atendimento do fabricante ou do INER;
  • se a compra for feita pela internet, lembre-se do direito de arrependimento previsto no Código de Defesa do Consumidor.

Dormir bem começa muito antes de deitar. Começa na escolha de um colchão adequado às necessidades de cada pessoa. Conhecer a composição do produto, entender as informações da etiqueta e comprar com base em critérios técnicos são atitudes que ajudam a evitar arrependimentos e transformam uma simples compra em um investimento na saúde e na qualidade de vida.