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TURISMO DE AVENTURA: sete pontos que todo consumidor deve checar antes de contratar

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turismo de aventura

O turismo de aventura atrai cada vez mais brasileiros, mas exige atenção redobrada: riscos são parte da atividade, mas não justificam acidentes. Especialista explica como escolher empresas sérias, verificar protocolos, exigir informações claras e contratar seguro adequado. Informação e precaução são a melhor proteção



 

RESUMO

  • Turismo de aventura cresce no Brasil e no mundo.
  • Atividades envolvem risco, mas empresas têm obrigação de informar e proteger.
  • Consumidor deve exigir gestão de segurança, certificados e contratos claros.
  • Seguro tradicional não cobre atividades radicais; é preciso buscar apólices específicas.
  • Tragédias recentes expõem falhas de segurança e ligam alerta para turistas.
  • Pequenos detalhes, como equipamento adequado, revelam se a operadora é séria.
  • Caso haja problemas, consumidor pode acionar Procon e Justiça com base no CDC

 



 

Quem nunca sonhou em voar de balão, saltar de paraquedas ou se aventurar em uma trilha radical? O turismo de aventura tem crescido no Brasil, mas tragédias recentes acenderam o alerta. A advogada especialista em relações de consumo Ana Paula Satcheki lembra que o risco faz parte da modalidade, mas não pode justificar acidentes.

“O turismo de aventura, por sua própria natureza, pressupõe risco. Mas é um risco calculado, previsível e que não pode servir de justificativa para ocorrências graves”, explica.

Segundo ela, é essencial entender que o consumidor não é um esportista profissional. “O praticante do turismo de aventura é um turista. Ele deve ser tratado como tal, com direito à informação clara, protocolos de segurança e responsabilidade das empresas”, destaca.

Por que o turismo de aventura cresce?

Ana Paula Satcheki, advogada especialista em relações de consumo
Ana Paula Satcheki, advogada especialista em relações de consumo

Nos últimos anos, a segmentação do turismo aumentou. Além do turismo religioso, da terceira idade e cultural, a busca pela adrenalina se consolidou como tendência. “A aventura sempre fez parte da natureza humana. O que mudou foi a profissionalização e o crescimento desse segmento, que ganhou espaço no mercado”, diz Satcheki.

Esse crescimento se deve também à maior acessibilidade das viagens. Promoções, pacotes, sistemas de milhagem e novas plataformas digitais facilitam o acesso dos consumidores a experiências antes consideradas inalcançáveis. “Hoje, mais gente consegue viajar e experimentar atividades radicais. Isso impulsiona o turismo de aventura e amplia os riscos”, analisa.

Informação é direito e obrigação

Um dos pontos mais críticos é a informação ao consumidor. Muitas vezes, o turista assina contratos sem ler e embarca em atividades sem conhecer os riscos. Para Satcheki, isso é inaceitável. “O consumidor tem que ser informado com absoluta transparência sobre todos os riscos. Informação não pode ser maquiada, tem que ser ostensiva e clara”, ressalta.

Ela lembra que a legislação obriga empresas a apresentarem termos e protocolos de segurança. O turista deve ler e questionar. “Cabe às operadoras explicar cada item, mas também cabe ao consumidor buscar informação. Ao colocar a própria vida em risco, ele precisa ter consciência do que está contratando”, reforça.

 



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Gestão de segurança: teoria que salva vidas

Mais do que contratos, a gestão de segurança é o coração do turismo de aventura. Essa gestão envolve protocolos de prevenção, equipamentos adequados e planos de ação em caso de emergências.

“No caso de tragédias recentes, como no episódio de uma trilha em vulcão, ficou claro que faltou um sistema eficaz de comunicação e resgate. Gestão de segurança não é papel, é prática que salva vidas”, alerta Satcheki.

Ela lembra de um exemplo positivo vivido no Atacama: uma operadora substituiu o calçado inadequado de uma turista por outro apropriado para a trilha. “Esse detalhe mostra compromisso com a segurança. São gestos simples que revelam se a empresa é séria”, exemplifica.

Seguro: cobertura limitada e pouco ofertada

Outro ponto sensível é o seguro. A maioria dos seguros de viagem não cobre turismo de aventura. “É um contrassenso. O consumidor paga, mas atividades radicais costumam ser excluídas das apólices comuns”, aponta Satcheki.

Ela explica que existem seguros específicos, pouco ofertados, que devem ser contratados antecipadamente por quem já planeja praticar atividades radicais. “Esse é o único caminho para garantir indenização em caso de acidente. O problema é que poucas empresas oferecem”, afirma.

Mesmo com seguro, a advogada reforça que a responsabilidade das empresas não é afastada. “O seguro não substitui a obrigação da operadora de garantir protocolos de segurança e equipamentos em perfeitas condições”, reforça.

Certificações obrigatórias: o que checar

No Brasil, empresas de turismo de aventura precisam estar cadastradas no Ministério do Turismo e adotar sistemas de gestão de segurança. Além disso, cada modalidade exige certificações específicas.

“Uma operadora de mergulho, por exemplo, precisa apresentar certificados sobre a qualidade e manutenção dos equipamentos. Afinal, 100% da vida do mergulhador depende do aparelho de respiração”, explica Satcheki.

Ela recomenda que o consumidor observe certificados expostos em locais visíveis, pergunte sobre os documentos e use a internet para verificar antecedentes da empresa. “Depois do acidente, de nada adianta descobrir que a empresa não tinha certificação. A indenização pode até vir, mas o custo físico ou emocional já terá sido alto”, alerta.

Diferença entre empresas sérias e aventureiras

Os detalhes revelam se a operadora é responsável. Equipamentos bem conservados, orientações claras, protocolos visíveis e atendimento cuidadoso são sinais positivos.

“Operadoras sérias se preocupam até com detalhes pequenos, como verificar se o turista está com o calçado certo. Já empresas aventureiras negligenciam etapas básicas. Isso pode custar a vida do consumidor”, enfatiza Satcheki.

A especialista lembra que, muitas vezes, acidentes não são divulgados oficialmente, mas isso não significa que não aconteçam. “Existe um esforço para abafar casos, mas o turista precisa se precaver com pesquisa prévia”, observa.

Tragédias que servem de alerta

Casos recentes de acidentes com balões, trilhas e escaladas mostraram o quanto a falta de gestão adequada pode ser fatal. “É uma questão de segundos para transformar lazer em tragédia. O que vimos nos últimos meses evidencia a necessidade de conscientização e fiscalização”, reforça Satcheki.

A ausência de estatísticas oficiais sobre o setor dificulta medir a dimensão dos riscos. Para a especialista, esse é um problema adicional. “Não sabemos qual modalidade é mais perigosa, porque não há registros sistematizados. Mas sabemos que tragédias vêm acontecendo com frequência”, aponta.

Orientações práticas ao consumidor

Ao planejar uma viagem de aventura, o consumidor deve seguir algumas regras básicas:

  1. Escolha consciente – só participe de atividades que realmente deseja, não apenas para acompanhar amigos.
  2. Pesquise a operadora – verifique tempo de atuação, reputação, certificados e protocolos.
  3. Leia contratos e termos – não assine sem compreender cada risco informado.
  4. Cheque equipamentos – pergunte sobre manutenção e qualidade.
  5. Exija gestão de segurança – peça detalhes sobre planos de ação em caso de emergência.
  6. Verifique o seguro – confirme se há cobertura para atividades radicais. Se não houver, contrate seguro específico.
  7. Avalie condições pessoais – reflita sobre preparo físico e de saúde antes de embarcar em atividades de risco.

Caminhos em caso de problemas

Se, mesmo com cuidados, o consumidor enfrentar problemas, deve acionar imediatamente a empresa responsável e registrar reclamação formal. Também é possível buscar apoio no Procon e recorrer à Justiça.

O Código de Defesa do Consumidor garante responsabilidade solidária das operadoras envolvidas, o que significa que tanto a agência de turismo quanto a empresa executora da atividade podem ser responsabilizadas.

“O consumidor sempre terá direito à reparação, mas o custo de um acidente pode ser a integridade física ou até a vida. Por isso, informação e precaução são indispensáveis”, conclui Satcheki.

Na Mega Brasil

Para saber detalhes sobre turismo de aventura, acesse a Rádio Mega Brasil Online nesta segunda (01/09), às 17 horas. Reapresentações de terça a sexta, no mesmo horário. No sábado e domingo, às 14 horas. A entrevista com a advogada Ana Paula Satchek pode ser acessada e baixada após entrar no ar pelo canal da Mega Brasil.

 

Texto: Angela Crespo

Imagem: Freepik

 

 

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