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CAIU EM GOLPE DO PIX? Saiba como o MED pode ajudar a recuperar seu dinheiro

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MED PIX

O Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central, permite que consumidores solicitem reembolso após golpes via PIX. Veja como funciona, os prazos para acionar o MED e como aumentar as chances de recuperação do dinheiro

Se você foi vítima de um golpe via PIX, saiba que existe uma ferramenta que pode ajudar a recuperar o dinheiro perdido: o MED PIX (Mecanismo Especial de Devolução). Criado pelo Banco Central, o MED oferece aos consumidores uma possibilidade real de reaver os valores transferidos indevidamente — desde que algumas condições sejam respeitadas.

"Assim que perceber que foi vítima de um golpe, o consumidor deve entrar em contato com o banco de onde o dinheiro saiu e solicitar a abertura do MED", Clara Kneese Basto, head de regulatório da Aarin
“Assim que perceber que foi vítima de um golpe, o consumidor deve entrar em contato com o banco de onde o dinheiro saiu e solicitar a abertura do MED”, Clara Kneese Basto, head de regulatório da Aarin

Segundo Clara Kneese Basto, head de regulatório da Aarin, empresa especializada em soluções com PIX, o primeiro passo é agir rápido. “Assim que perceber que foi vítima de um golpe, o consumidor deve entrar em contato com o banco de onde o dinheiro saiu e solicitar a abertura do MED. Quanto mais rápido esse pedido for feito, portanto, maiores as chances de sucesso.”


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Como fazer a solicitação

A solicitação deve ser feita em até 80 dias após a transação. No entanto, o ideal é que o consumidor aja nas primeiras horas. Uma vez feita a comunicação, os bancos têm 30 minutos para iniciar o bloqueio da quantia transferida na conta do recebedor. Após esse prazo, contudo, os valores podem ser pulverizados em outras contas, dificultando a recuperação.

Além disso, os bancos têm sete dias para analisar a solicitação e decidir se a devolução será feita. Nesse período, é fundamental que o consumidor envie o máximo de provas possíveis, como prints de conversas, comprovantes de transferência, boletins de ocorrência e qualquer outro elemento que comprove a fraude.

“Muitas vezes o pedido é negado por falta de provas suficientes ou porque o dinheiro já não está mais na conta de destino”, explica Clara. Por isso, o envio de evidências logo após o contato com o banco é essencial.

Outro ponto importante é que, mesmo após uma negativa inicial, o banco deve continuar monitorando a conta suspeita por até 90 dias. Se novos valores entrarem nesse período, eles podem ser bloqueados para ressarcir a vítima.

O que é o MED PIX e como funciona?

O MED é um mecanismo que permite o reembolso de valores em casos de fraudes ou falhas operacionais. Ele foi criado pelo Banco Central para oferecer mais segurança ao sistema de pagamentos instantâneos.

Ao acionar o MED, o banco do pagador comunica o banco recebedor, que deve bloquear o valor. A partir daí, os dois bancos avaliam a situação e, se a fraude for comprovada, o dinheiro pode ser devolvido.

A medida é útil não apenas em golpes, mas também em situações de erro de digitação ou envio para contas erradas.

Números da recuperação via PIX

De acordo com dados recentes do Banco Central, os pedidos de reembolso por golpes via PIX atingiram R$ 10,2 bilhões em 2024, um aumento de 98% em relação ao ano anterior. No entanto, apenas 31% desses pedidos resultaram na devolução dos valores.

Em contrapartida, quando se trata de falhas operacionais (como transferências erradas), o índice de recuperação ultrapassa os 45%, mostrando que a eficácia do MED é maior quando há erro processual do que em casos de fraude. Esses números reforçam a importância da agilidade na denúncia e da qualidade das provas apresentadas no pedido de reembolso.

MED 2.0: o que vem por aí

Para aumentar a eficácia do sistema, o Banco Central está desenvolvendo o MED 2.0, previsto para ser implementado em 2026. A nova versão, porém, trará mudanças importantes, como a possibilidade de rastrear e bloquear valores mesmo quando divididos entre várias contas — algo comum em fraudes.

Outra novidade é a inclusão de um canal direto nos aplicativos bancários para registrar queixas relacionadas ao PIX. Isso tornará o processo mais acessível e ágil para os consumidores.

Além disso, o sistema contará com indicadores de eficiência, permitindo que as instituições financeiras acompanhem o histórico de solicitações e ampliem a segurança.

“O MED 2.0 vai melhorar significativamente o rastreio do dinheiro e facilitar a devolução em casos complexos, como os de triangulação de contas”, afirma Clara Kneese Basto.

Dicas para o consumidor

  • Aja rápido: Entre em contato com seu banco assim que notar o golpe;
  • Envie provas: Documente tudo. Prints, mensagens, BO e comprovantes ajudam muito;
  • Monitore o atendimento: Utilize canais como SAC, ouvidoria e, se necessário, Procon ou Consumidor.gov.br;
  • Denuncie o golpe: Registre boletim de ocorrência e denuncie contas ou perfis falsos;
  • Previna-se: Ative todas as proteções de segurança no celular e evite clicar em links suspeitos.

Assim, com mais informação e atenção, o consumidor tem mais ferramentas para se proteger e recuperar possíveis prejuízos. E com a chegada do MED 2.0, o combate às fraudes deve se tornar ainda mais eficaz.

Para mais orientações sobre seus direitos como consumidor, acesse sempre o site Consumo em Pauta.

Na Mega Brasil

Para saber detalhes sobre o MED PIX, acesse a Rádio Mega Brasil Online nesta segunda (07/04), às 17 horas. Reapresentações de terça a sexta, no mesmo horário. No sábado e domingo, às 14 horas. A entrevista com Clara Kneese Basto, head de regulatório da Aarin, pode ser acessada e baixada após entrar no ar pelo canal da Mega Brasil.

Texto: Angela Crespo

Imagens: Freepik-gatuita

 

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