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Vazamento de dados aumenta risco de golpes e plataforma ajuda consumidor

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mULHER OLHA AFLITA COMPUTADOR APÓS SABER QUE SEUS DADOS FORAM VAZADOS

O aumento dos vazamentos de dados pessoais ampliou os riscos de golpes digitais sofisticados. Uma nova plataforma gratuita ajuda consumidores a verificar possíveis exposições de informações, registrar notificações formais e organizar documentos para eventual reparação de danos. Especialistas alertam que o cruzamento de dados vazados tornou as fraudes muito mais convincentes e perigosas

 



 

Resumo 

  • Plataforma gratuita ajuda consumidor a verificar possível vazamento de dados
  • Usuário escolhe se quer confirmar exposição, notificar autoridades ou organizar pedido de indenização
  • Respostas não aparecem imediatamente e chegam por e-mail
  • Pedido deve ser feito individualmente para cada empresa listada
  • Cruzamento de vazamentos aumenta drasticamente risco de golpes
  • Especialista alerta para cuidados simples que ajudam na prevenção

 



 

O telefone toca. O banco parece verdadeiro. A mensagem chega pelo WhatsApp com informações pessoais corretas. E o consumidor acredita estar falando com uma empresa, banco, fornecedor ou órgão público com o qual realmente mantém relacionamento, justamente porque quem entrou em contato conhece detalhes legítimos da sua vida.

O vazamento de dados pessoais passou a fazer parte da rotina digital de quem usa bancos, e-commerce e aplicativos no Brasil. CPF, endereço, telefone, e-mail e até dados financeiros circulam em bases ilegais usadas por golpistas para criar fraudes cada vez mais sofisticadas.

Para ajudar consumidores a entender se suas informações podem ter sido expostas, o Instituto Empresa lançou a plataforma gratuita “Vazamento de Dados”. A ferramenta permite verificar possíveis exposições de informações pessoais, registrar notificações formais e até organizar documentos caso exista necessidade futura de pedir indenização por prejuízos relacionados ao vazamento.

O Instituto Empresa é uma associação criada em 2017 voltada à defesa de investidores minoritários e pessoas ligadas ao mercado financeiro. Segundo a executiva Nicole Berto, a plataforma surgiu diante do crescimento acelerado dos crimes digitais e da dificuldade dos consumidores em saber como agir.

“Ela tem o objetivo de verificar se os seus dados foram vazados e expostos na internet em algum momento”, afirma Nicole em entrevista ao programa Consumo em Pauta.

A plataforma pode ser acessada pelo endereço:

Vazamento de Dados

O consumidor escolhe qual ação deseja realizar

Ao preencher as informações na plataforma, o consumidor pode escolher qual objetivo deseja seguir.

Entre as opções disponíveis estão:

  • confirmar se os dados foram vazados;
  • notificar autoridades sobre vazamento;
  • pleitear indenização por prejuízo.

Na prática, o processo pode acontecer em etapas.

Por exemplo: o consumidor pode primeiro solicitar apenas a confirmação sobre eventual vazamento. Caso receba posteriormente uma resposta positiva da empresa ou órgão envolvidos, ele pode retornar à plataforma para fazer uma segunda solicitação, dessa vez autorizando notificações aos órgãos responsáveis ou organizando documentação para eventual ação judicial.

Segundo Nicole Berto, a proposta é justamente facilitar um caminho que muitos consumidores não sabem nem por onde começar.

Resultado não aparece imediatamente na tela

Uma informação importante para o consumidor é que a plataforma não mostra imediatamente se houve ou não vazamento de dados. Isso pode gerar frustração em quem espera uma resposta imediata.

O sistema funciona como uma ferramenta de solicitação e encaminhamento formal. Depois do preenchimento, o consumidor recebe por e-mail as notificações enviadas às empresas. Já a resposta confirmando ou negando a exposição das informações chega posteriormente — e vem diretamente da empresa ou órgão relacionados ao possível incidente, não da plataforma.

Outro detalhe importante é que o pedido precisa ser feito individualmente para cada empresa ou órgão listados.

Ou seja, se o consumidor quiser verificar possíveis exposições ligadas a diferentes companhias ou órgãos, será necessário realizar solicitações separadas. Cada solicitação gera um novo e-mail de acompanhamento e uma nova comunicação formal.

Uma forma de evitar pedidos desnecessários é avaliar se realmente existe ou existiu relação com aquela empresa. Se o consumidor nunca foi cliente de determinada companhia ou não usou o órgão público, por exemplo, talvez não faça sentido realizar a solicitação relacionada a eles.

No teste realizado pelo Consumo em Pauta, a plataforma enviou automaticamente uma notificação formal fundamentada na Lei Geral de Proteção de Dados para a empresa/órgão relacionados ao possível vazamento identificado. O documento solicita confirmação sobre eventual exposição de dados pessoais, detalhamento do incidente de segurança, informações sobre compartilhamento das informações e medidas adotadas pela companhia/órgão.

O consumidor também recebe cópias das notificações enviadas à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)  e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), criando um histórico documental importante caso precise comprovar posteriormente que buscou proteção formal após suspeita de vazamento.

 


 

LEIA TAMBÉM NO CONSUMO EM PAUTA

+ Como agir diante do uso indevido de CPF após vazamento

+ Como se prevenir de golpes diante de tantos vazamentos de dados?

+ Vazamento de dados pode afetar seu bolso

 


 

Cruzamento de vazamentos aumenta risco de golpe

O principal alerta feito pela executiva do Instituto Empresa é que o maior risco nem sempre está em um único vazamento isolado.

O problema cresce quando criminosos cruzam informações obtidas em diferentes episódios.

Um vazamento pode expor telefone. Outro pode revelar CPF. Um terceiro pode trazer endereço, data de nascimento ou dados financeiros. Quando essas informações são reunidas, os golpes passam a reproduzir situações extremamente parecidas com a realidade da vítima.

Segundo Nicole Berto, a chance de o consumidor cair em fraude cresce rapidamente conforme aumenta o cruzamento de informações vazadas:

  • 1 vazamento isolado: 18% de chance de golpe;
  • 2 vazamentos cruzados: 47%;
  • 3 vazamentos cruzados: 78%;
  • 4 ou mais vazamentos cruzados: 96%.

É justamente por isso que muitos consumidores acreditam estar falando com empresas verdadeiras. Os golpistas conseguem informar parcelas, compras recentes, valores bancários e dados pessoais que passam sensação de legitimidade.

Nicole alerta que os golpes digitais também evoluíram rapidamente e já utilizam biometria facial, geolocalização e hábitos digitais coletados em redes sociais e aplicativos.

Como reduzir os riscos de vazamento de dados

Mesmo diante do crescimento dos golpes digitais, algumas atitudes ajudam a reduzir riscos.

A primeira orientação é desconfiar de pedidos excessivos de informações em aplicativos, formulários e sites.

“Hoje em dia, informações pessoais são patrimônio”, destaca Nicole Berto.

Outras medidas importantes incluem:

  • trocar senhas regularmente;
  • evitar usar CPF como chave Pix;
  • desconfiar de mensagens urgentes;
  • não clicar em links recebidos por WhatsApp ou SMS;
  • acessar sites digitando o endereço manualmente;
  • ativar autenticação em duas etapas;
  • reduzir exposição de localização em redes sociais;
  • verificar se o site possui conexão segura (“https”).

A especialista também recomenda atenção especial com idosos e pessoas menos familiarizadas com tecnologia. Segundo ela, separar dispositivos usados para lazer daqueles utilizados para operações financeiras pode ajudar a reduzir riscos.

O que fazer se suspeitar de vazamento de dados

Se houver suspeita de exposição de informações pessoais, a recomendação é agir rapidamente.

O ideal é alterar imediatamente senhas bancárias, acessos de e-mail e contas mais sensíveis. Também vale monitorar movimentações financeiras e desconfiar de contatos inesperados.

Outra orientação importante é registrar formalmente a suspeita, que pode ser na ferramenta do Instituto Empresa e até mesmo BO em uma delegacia de polícia. Isso ajuda a criar um histórico documental relevante caso exista fraude futura.

Nicole Berto reforça que prevenção ainda é a principal proteção.

“Prevenir é muito mais fácil do que reparar o dano”, afirmou.

O consumidor também pode solicitar às empresas informações sobre quais dados estão armazenados, qual a finalidade do uso e até pedir exclusão das informações dos bancos de dados, conforme prevê a Lei Geral de Proteção de Dados.

No fim, a principal mudança talvez seja cultural: entender que dados pessoais têm valor econômico e precisam receber o mesmo cuidado dedicado a documentos, cartões bancários e contas financeiras. Para muitos consumidores, essa percepção ainda é recente — e faz diferença.

Texto: Angela Crespo

Imagem: Freepik

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