Consumidor do futuro será empoderado, mas mal-educado

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É o que pensa o filósofo Luiz Felipe Pondé sobre o consumidor do futuro. Ele palestrou na 7ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, promovida pela CNSeg

O consumidor do futuro tende a ser empoderado, mal-educado e sem-vergonha, disse o filósofo Luiz Felipe Pondé, durante o painel “Como educar o consumidor do futuro”, na 7ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros, durante a 8ª Conseguro, promovida pela CNSeg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização). “E não tem gente mais chata que o crítico”, continuou o filosofo ao enumerar as características dos consumidores da geração milênio. Mas nem todos os jovens são “milênios”, explicou Pondé. Precisa-se fazer um corte econômico além da idade.

À tendência à judicialização dos vínculos afetivos e comerciais soma-se outros predicados aos que nasceram pós-década de 80. Entre eles, insegurança, narcisismo, leis sobrepondo à ética, individualismo sem vínculos pesados. Conforme Pondé, esta última característica pode ser facilmente identificada no fato de preferirem pets a crianças. “Quem investir em pets se dará bem. Já quem optar em colocar seus investimentos em maternidade, poderá não ter vida longa.”

O consumo crescente de informações é que torna o consumidor do futuro mais intolerante, egoísta e que acha que tem de ser servido. Mesmo sendo imaturo, estará sempre adquirindo estilo e não apenas produtos, amarrado na ilusão pregada pelo marketing, que, para Pondé, “será a ciência social do futuro”.

Sobre a educação do consumidor do Futuro, o filósofo ressalta que “a palavra educação está no mesmo patamar semântico da palavra energia”, e não se sabe exatamente o que é energia. “Nunca estivemos tão perdidos com educação como estamos agora”.

Educação financeira

Na sequência do painel, Cláudia Forte, superintendente da Associação de Educação Financeira do Brasil, disse que é hora de começar a cuidar do consumidor do futuro, promovendo a educação financeira já na base, trabalho que vem sendo desenvolvido pela entidade que comanda em mais de 3 mil escolas do País.

Cláudia diz que ainda é cedo para se ter uma definição de como será o consumidor do futuro, mas a educação financeira poderá ser uma grande aliada no empoderamento das futuras gerações. “Vivemos em um país no qual a cultura do ter é mais importante do que a do ser”,  enfatizou. Ela recorreu ao pensador Montesquieu para explicar quem será o consumidor do futuro: “Dê poder a um homem e verás quem ele é”.

Diálogo

Maria Stella Gregori destacou em sua fala a importância do diálogo entre todos os lados o balcão, que já vem sendo construído paulatinamente. “Saímos de uma situação policialesca para a do diálogo nas relações de consumo e agora proponho uma nova era, a da educação para o consumo sustentável, com transparência e pautada na ética.”

Isso vai além de entender a nova geração, conforme a sócia-fundadora da Gregori Sociedade de Advogados. É preciso dar informação à nova geração na linguagem que eles se comunicam.

Já Silas Rivelle, ouvidor da Seguros Unimed, chamou a atenção para “escutar” todos os consumidores, não apenas ouvir, o que significa dar atenção real.

Por Angela Crespo

(Angela Crespo esteve no 8º Conseguro, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 19 e 21 de setembro de 2017, a convite da CNSeg)

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