ARTIGO: Uma reflexão sobre os 28 anos do CDC

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No aniversário de 28 anos do CDC, comemoramos todas as conquistas do documento para a sociedade, tão carente de leis respeitosas e que sejam efetivas para a melhor qualidade de vida de todos os cidadãos

por Ricardo Gorski

No dia 11 de setembro de 1990, foi instituída a ferramenta que mudaria substancialmente a relação entre empresa e cliente: o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Ele foi consequência da demanda popular por mais direitos sociais, e também da instituição da Constituição de 1988. Há 28 anos, a sociedade se beneficia da harmonia entre consumidor e fornecedor proporcionada pelo Código – o que o torna, sem dúvida, a mais importante ferramenta das relações de consumo na era atual.

De um lado, os consumidores, elo vulnerável da relação devido ao seu desconhecimento técnico sobre os trâmites de uma aquisição, são favorecidos com maior proteção aos seus interesses. Do outro, a exigência por melhor qualidade e atendimento acabou por enaltecer fornecedores que promovem relações comerciais mais transparentes e respeitosas, aumentando o nível de todos os serviços e produtos oferecidos. E a criação de uma lei específica que compreendesse o dinamismo das relações comerciais foi crucial para garantir uma cultura de respeito aos consumidores.

Por isso, o evento CONAREC 2018, que aconteceu na última semana em São Paulo, debateu profundamente como as empresas podem tornar o CDC ainda mais benéfico para a relação com o consumidor.

No aniversário de 28 anos do CDC, comemoramos todas as conquistas do documento para a sociedade, tão carente de leis respeitosas e que sejam efetivas para a melhor qualidade de vida de todos os cidadãos. Afinal, não há uma separação definitiva entre consumidores e fornecedores. Nós desempenhamos ambos os papéis em vários momentos da vida e, sendo assim, todos nós colhemos os frutos dos avanços da regulamentação.

Assim, vale uma reflexão sobre o que mudou na sociedade desde 1990 para continuar promovendo a evolução deste vínculo de confiança mútua, à exemplo da discussão que foi feita na época da criação do CDC.

Avanços tecnológicos no atendimento e novas formas de produção e de aquisição, além de uma mudança do perfil do consumidor, demandam mais atenção às necessidades do cidadão. Ele é, hoje, mais exigente e ciente de seus direitos, desejos e é mais consciente sobre o impacto no mundo, natureza e valores morais das empresas.

Pensando nestas novas demandas dos consumidores, o evento nos deixou uma lição muito importante: ouvir e entender os anseios do consumidor para conseguir promover além de uma prestação de serviços ou uma venda, e sim, uma experiência.

Antes de inventarmos ideias mirabolantes de encantamento que podem ser onerosas e complexas, é preciso olhar para dentro dos nossos negócios e compreender como podemos melhorar nossos procedimentos de forma a prestar um atendimento de excelência baseado em transparência, simplicidade, agilidade e resolutividade. Desta forma, podemos garantir que a sociedade continue a se beneficiar dos avanços dessa cultura de respeito.

Ricardo Gorski é diretor geral na iLink Solutions

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Sobre o Autor

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